Olá a todos!
Aqui estão os trabalhos de Sociologia: um no valor de 3 pontos e outro valendo 1 (para quem fez o trabalho do Prof. Márcio). Os trabalhos podem ser feitos em dupla, mas quem precisa de 3 pontos não pode formar dupla com quem só precisa de 1. Data de entrega: 30/08.
Abraços, Kelly
Colégio Pedro II – Unidade Escolar Realengo
Disciplina: Sociologia
Professora: Kelly Pedroza Santos
Trabalho de Sociologia – em dupla
Valor: 1 ponto
Questão 1: “[...] em seu impulso cego, desmedido, em sua voracidade por mais-trabalho, o capital atropela não apenas os limites máximos morais, mas também os puramente físicos da jornada de trabalho. Usurpa o tempo para o crescimento, o desenvolvimento e a manutenção sadia do corpo. Rouba o tempo necessário para o consumo de ar puro e luz solar. Escamoteia o tempo destinado às refeições para incorporá-lo onde possível ao próprio processo de produção, suprindo o trabalhador, enquanto mero meio de produção, de alimentos, como a caldeira, de carvão, e a maquinaria de graxa ou óleo.” (Karl Marx, O Capital – Crítica da Economia Política. São Paulo: Abril Cultural, 1983, v. 1, cap. VIII.)
Explique por que Marx considera que as relações de trabalho no capitalismo são baseadas na exploração dos trabalhadores. (0,25)
Questão 2: Analise de que forma o status do trabalhador no processo produtivo se alterou desde a organização artesanal até a implantação da maquinofatura. (0,25)
Questão 3: “Na minha vida de fábrica, foi uma experiência única. [...] para mim pessoalmente, veja o que significou o trabalho na fábrica. Mostrou que todos os motivos exteriores (que antes eu julgava interiores) sobre os quais, para mim, se apoiava o sentimento de dignidade, o respeito por mim mesma, em duas ou três semanas ficaram radicalmente arrasados pelo golpe de uma pressão brutal e cotidiana. E não creio que tenha nascido em mim sentimentos de revolta. Não, muito ao contrário. Veio o que era a última coisa do mundo que eu esperava de mim: a docilidade.” (Simone Weil. Carta a Albertine Thévenon (1934-5). In: Bosi, Ecléa (org.). A condição operária e outros estudos sobre a opressão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p.65.)
Considerando o depoimento acima e o sistema fordista/taylorista, quais estratégias de controle dos operários foram criadas e qual o impacto da racionalização do processo produtivo na vida dos trabalhadores? (0,25)
Questão 4: Considerando o processo de produção, aponte qual a novidade trazida pelo sistema de acumulação flexível em relação ao sistema anterior. (0,25)
Colégio Pedro II – Unidade Escolar Realengo
Disciplina: Sociologia
Professora: Kelly Pedroza Santos
Trabalho de Sociologia – em dupla
Valor: 3 pontos
Texto: A jornada de trabalho no capitalismo
“Que é uma jornada de trabalho?” De quanto é o tempo durante o qual o capital pode consumir a força de trabalho, cujo valor diário ele paga? Por quanto tempo pode ser prolongada a jornada de trabalho além do tempo de trabalho necessário à reprodução dessa mesma força de trabalho? A essas perguntas, viu-se que o capital responde: a jornada de trabalho compreende diariamente as 24 horas completas, depois de descontar as poucas horas de descanso, sem as quais a força de trabalho fica totalmente impossibilitada de realizar novamente sua tarefa. Entende-se por si, desde logo, que o trabalhador, durante toda a sua existência, nada mais é que força de trabalho e que, por isso, todo o seu tempo disponível é por natureza e por direito tempo de trabalho; portanto, pertencente à auto-valorização do capital. Tempo para a educação humana, para o desenvolvimento intelectual, para o preenchimento de funções sociais, para o convívio social, para o jogo livre das forças vitais físicas e espirituais, mesmo o tempo livre de domingo – e mesmo no país do sábado santificado – pura futilidade!
Mas em seu impulso cego, desmedido, em sua voracidade por mais-trabalho, o capital atropela não apenas os limites máximos morais, mas também os puramente físicos da jornada de trabalho. Usurpa o tempo para o crescimento, o desenvolvimento e a manutenção sadia do corpo. Rouba o tempo necessário para o consumo de ar puro e luz solar. Escamoteia o tempo destinado às refeições para incorporá-lo onde possível ao próprio processo de produção, suprindo o trabalhador, enquanto mero meio de produção, de alimentos, como a caldeira, de carvão, e a maquinaria de graxa ou óleo.
(...) Em vez da conservação normal da força de trabalho determinar aqui o limite da jornada de trabalho é, ao contrário, o maior dispêndio possível diário da força de trabalho que determina, por mais penoso e doentiamente violento, o limite do tempo de descanso do trabalhador. O capital não se importa com a duração de vida da força de trabalho. O que interessa a ele, pura e simplesmente, é um maximum de força de trabalho que em uma jornada de trabalho poderá ser feito fluir.
A produção capitalista, que é essencialmente produção de mais-valia, absorção de mais trabalho, produz, portanto, com o prolongamento da jornada de trabalho, não apenas a atrofia da força de trabalho, a qual é roubada de suas condições normais, morais e físicas, de desenvolvimento e atividade. Ela produz a exaustão prematura e o aniquilamento da própria força de trabalho. Ela prolonga o tempo de produção do trabalhador num prazo determinado mediante o encurtamento de seu tempo de vida.
(Karl Marx, O Capital – Crítica da Economia Política. São Paulo: Abril Cultural, 1983, v. 1, cap. VIII, p. 211-212.)
• Com base no texto acima e na matéria do segundo trimestre, responda as seguintes questões:
Questão 1: A jornada de trabalho no capitalismo respeita os limites físicos dos trabalhadores? Explique. (0,25)
Questão 2: Segundo Marx, quais as conseqüências do prolongamento da jornada de trabalho na vida do trabalhador? (0,25)
Questão 3: Explique a seguinte afirmação: “O capital não se importa com a duração de vida do trabalhador.” (0,25)
Questão 4: “[O capital] escamoteia o tempo destinado às refeições para incorporá-lo onde possível ao próprio processo de produção, suprindo o trabalhador, enquanto mero meio de produção, de alimentos, como a caldeira, de carvão, e a maquinaria de graxa ou óleo.”
A partir deste trecho, analise de que forma o status do trabalhador no processo produtivo se alterou desde a organização artesanal até a implantação da maquinofatura. (0,25)
Questão 5: Explique por que Marx considera que as relações de trabalho no capitalismo são baseadas na exploração dos trabalhadores. (0,5)
Questão 6: Podemos afirmar que Durkheim considerava a educação, formal e informal, como elemento importante de integração dos indivíduos à sociedade. Identifique de que maneira a educação atua na socialização e qual a força de sua influência numa sociedade caracterizada pela solidariedade mecânica. (0,5)
Questão 7: “Na minha vida de fábrica, foi uma experiência única. [...] para mim pessoalmente, veja o que significou o trabalho na fábrica. Mostrou que todos os motivos exteriores (que antes eu julgava interiores) sobre os quais, para mim, se apoiava o sentimento de dignidade, o respeito por mim mesma, em duas ou três semanas ficaram radicalmente arrasados pelo golpe de uma pressão brutal e cotidiana. E não creio que tenha nascido em mim sentimentos de revolta. Não, muito ao contrário. Veio o que era a última coisa do mundo que eu esperava de mim: a docilidade.” (Simone Weil. Carta a Albertine Thévenon (1934-5). In: Bosi, Ecléa (org.). A condição operária e outros estudos sobre a opressão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p.65.)
Considerando o depoimento acima e o sistema fordista/taylorista, quais estratégias de controle dos operários foram criadas e qual o impacto da racionalização do processo produtivo na vida dos trabalhadores? (0,5)
Questão 8: Considerando o processo de produção, aponte qual a novidade trazida pelo sistema de acumulação flexível em relação ao sistema anterior. (0,5)